Mês da Mulher

Escola do Legislativo - Quinta-feira, 26 de Março de 2026


Mês da Mulher

Na tarde de 25 de março de 2026, a Câmara Municipal de Campo Limpo Paulista tornou-se palco de um debate essencial sobre a segurança e a dignidade feminina. A palestra "Violência Doméstica: instrumentos de defesa da mulher", idealizada e organizada pela Escola do Legislativo Prof. Jorge Luiz de Biazzi e ministrada pela GM Adriana Aparecida de Camargo, da Guarda Municipal de Jundiaí, trouxe à tona não apenas o papel das polícias, mas a necessidade vital de uma rede de apoio estruturada e da conscientização sobre os diversos tipos de violência doméstica.

 

Identificando o Ciclo da Violência

Durante o evento, a GM Adriana Aparecida de Camargo promoveu uma análise detalhada sobre as diversas camadas que compõem o abuso doméstico, indo muito além das marcas visíveis. Ela explicou que a violência física é, muitas vezes, o ápice de um processo que começa de forma silenciosa e insidiosa.

A palestrante dissecou os mecanismos da violência psicológica, que destrói a autoestima da mulher através de manipulações e ameaças; a violência sexual, que se manifesta em qualquer relação não consentida, inclusive no matrimônio; a violência patrimonial, caracterizada pelo controle de documentos, bens ou recursos financeiros para gerar dependência; e a violência moral, que envolve calúnia, difamação ou injúria.

Um ponto de destaque na fala de Adriana foi a violência vicária: aquela em que o agressor utiliza os filhos, familiares ou até animais de estimação como instrumentos para causar sofrimento psicológico à mulher.

O foco central da instrução foi capacitar a audiência a identificar as três fases do "Ciclo da Violência":

 

  1. Aumento da Tensão: Caracterizada por irritabilidade e humilhações verbais.
  2. Explosão: Onde ocorre o ato de violência propriamente dito.
  3. Lua de Mel: O período de arrependimento e falsas promessas de mudança que mantém a vítima presa à relação.

Adriana ressaltou que esse ciclo quase sempre se inicia com o isolamento progressivo, onde o agressor, sob o pretexto de cuidado ou ciúme, afasta a mulher de seu círculo de amigos e familiares, cortando seus laços de suporte e tornando-a mais vulnerável à manipulação.

 

Inovação: O "Botão do Pânico"

Como exemplo de sucesso em políticas públicas, foi apresentado o "Botão do Pânico", ferramenta desenvolvida pela Prefeitura de Jundiaí. O dispositivo, que funciona via aplicativo de celular, permite que mulheres com medidas protetivas acionem a Guarda Municipal instantaneamente em situações de risco.

 

  • Agilidade: O alerta envia a localização exata da vítima para a central de monitoramento.
  • Prioridade: A viatura mais próxima é deslocada imediatamente para o local.
  • Prevenção: O sistema tem sido fundamental para reduzir os índices de feminicídio e reincidência de agressões na cidade vizinha.

 

O Pilar Invisível: A Importância da Rede de Apoio

A GM Adriana enfatizou que o combate à violência doméstica não se faz apenas com algemas, mas com acolhimento. A Rede de Apoio foi classificada como o conjunto de instituições e pessoas que sustentam a mulher no momento da ruptura com o agressor.

 

  • Apoio Institucional: O papel interligado entre o CRAS, CREAS, a Saúde e o Judiciário. Sem um abrigo seguro ou assistência psicológica, muitas mulheres sentem-se compelidas a retornar ao ambiente de violência por dependência emocional ou financeira.
  • Apoio Psicossocial: O acompanhamento por assistentes sociais e psicólogos é o que permite a elaboração do trauma e o fortalecimento da autoestima.
  • Rede Comunitária e Familiar: Vizinhos, amigos e parentes são, muitas vezes, os "primeiros respondentes". Adriana ressaltou que a sociedade não pode mais ser omissa. "Em briga de marido e mulher, se mete a colher, sim, para salvar uma vida", pontuou.
  • Autonomia Financeira: Programas de capacitação e inserção no mercado de trabalho são ferramentas de libertação, impedindo que a falta de recursos seja uma barreira para a denúncia.

 

Engajamento Local

O evento contou com a presença de autoridades locais e da comunidade civil, reforçando o compromisso de Campo Limpo Paulista em aprimorar suas estratégias de segurança e proteção à mulher.

 

Como buscar ajuda?

Se você é vítima de violência ou conhece alguém que precisa de ajuda, utilize os canais oficiais de proteção. O atendimento é humanizado e, em muitos casos, pode ser feito de forma anônima:

 

  • Guarda Municipal (153): Para emergências e flagrantes em Campo Limpo Paulista e região. Atendimento 24h com foco em patrulhamento preventivo.
  • Polícia Militar (190): Acionamento imediato em situações de risco iminente ou violência física em curso.
  • Central de Atendimento à Mulher (180): Canal nacional gratuito que oferece orientações sobre direitos, apoio psicológico e registro de denúncias.

 

Lembre-se: A denúncia é um ato de coragem que salva vidas. Não se cale.

Câmara Municipal


Campo Limpo Paulista